quinta-feira, 16 de março de 2017

A HUMANIZAÇÃO DA EQUIPE DE ENFERMAGEM EM UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA NEONATAL: CONCEPÇÃO, APLICABILIDADE E INTERFERÊNCIA NA ASSISTÊNCIA HUMANIZADA

Clínicas da Saúde da Criança, mais precisamente no estágio extracurricular onde pude ter contato com o ambiente da Unidade de Terapia Intensiva Neonatal UTIN. Por meio da observação, pode-se identificar que muitas vezes, a humanização da equipe de enfermagem nesse ambiente passa despercebida em razão da rotatividade das atividades e da complexidade da UTIN.
O período neonatal é definido como a fase de vida do ser humano que vai desde o nascimento até o 28º dia de vida; que é considerada como uma adaptação da vida intrauterina à vida extrauterina, na qual ocorre um processo contínuo de transformações anatômicas e fisiológicas.
Alguns recém nascidos precisam de assistência especializada em razão das condições clínicas, como prematuridade, malformações, asfixia perinatal, infecções congênitas entre outras. Assim sendo, necessitam de um ambiente apropriado, com recursos tecnológicos e humanos adequados, para se garantir o tratamento e restabelecimento adequados(1).
A UTIN prima por ser um local onde se dá maior ênfase aos principais recursos profissionais e tecnológicos para atendimento dos recém nascidos gravemente enfermos, com cuidados que são direcionados de forma especializada e adequados à recuperação e desenvolvimento em diversas especificidades.
Durante o período de hospitalização na UTIN o recémnascido fica exposto continuamente à dor e a estímulos incômodos, como procedimentos invasivos e luz constante, o que pode causar uma série de fatores estressantes aos bebês. Nesse sentido, devemos ter o cuidado com a vida, lembrando que deve ser resguardada a singularidade do cliente, implicando a importância desde o ambiente físico até os recursos humanos que estão inseridos nesse cuidado(2).
Diferentes perspectivas a respeito da humanização já são conhecidas e aplicadas, porém, o humanizar na profissão de enfermagem caminha em consonância com os preceitos éticos e legais que regem a profissão(3). Pelo ambiente da UTIN gerar sentimentos diversos de temor, insegurança, ambivalência tanto nos pais como nos profissionais é fundamental a humanização dos próprios trabalhadores que atuam no setor, valendo-se o respeito a posição ética, a fim de se conseguir melhores resultados.
A presença do cuidar humanizado na assistência nesse ambiente, torna-se relevante, sendo percebido como trabalhar em consonância entre as diversas tecnologias; conhecimento técnico e cientifico, com o respeito e valorização do ser humano e de suas diferenças e singularidades de forma integral.
A assistência humanizada deve ser dada de forma a atribuir cidadania, solidariedade a diversidade de cada individuo, enfatizando a subjetividade e satisfazendo suas necessidades e dos profissionais que prestam assistência aos usuários desses serviços(4).
A busca pelos profissionais de um relacionamento interpessoal afetivo, no sentido de interação da própria equipe, família e paciente é significante para a humanização do cuidado prestado. A comunicação é o principal meio de interação, o ouvir, o comprometimento com o estado emocional e o respeito à autonomia do paciente auxiliam na resposta de seus anseios(5).
Na UTIN, esse preceito deve envolver as famílias. Embora os bebês não falem, eles dão sinais de suas necessidades e, tanto os pais como os profissionais, precisam aprender a se comunicar com eles, pois os bebês necessitam dessa interlocução.
O trabalho dos profissionais em UTIN sofre influências de fatores como o nível de estresse e as cargas emocionais relatadas que, se não forem trabalhados, poderão se transformar em doenças. Estão sujeitos ainda a aspectos organizacionais, como o ambiente, a missão e visão da instituição que poderá ou não favorecer o conforto e bem estar no cotidiano do trabalho.
Muitas vezes, os profissionais de Enfermagem trabalham uma carga horária excessiva, podendo o fato estar relacionado à conciliação de dois empregos, horas extras, plantões dobrados, número de profissionais reduzidos e profissionais que conciliam trabalho e estudo. As tarefas são repetitivas com jornadas de trabalho prolongadas que causam constantemente desgaste físico inerente ao labor.
Além disto, os profissionais lidam com pacientes especiais que não podem se comunicar e expressar suas aflições por meio de palavras, além das tarefas que exigem ritmo acelerado e responsabilidade em suas ações. Os recém nascidos, mesmo sadios, exigem atenção redobrada, por conviverem com o processo saúde-doença e morte que, muitas vezes, pode causar angustia, depressão e muitos sofrimentos psíquicos(6)
Acreditamos que uma instituição possa intervir dentro da temática levantada, para a minimização desses problemas e aumento da qualidade de vida dos colaboradores ao assumir o compromisso de planejar a assistência, disponibilizando ferramentas para promover a humanização na assistência no ambiente e na relação multiprofissional, reforçando a meta diária com o bem estar de todos envolvidos no processo.
Assim, pensamos que existem diversos fatores que a princípio podem apresentar-se como fragilidades e que possam influenciar na aplicabilidade do cuidado humanizado, em consideração à visão, missão e cultura institucional. Ainda a própria percepção do profissional sobre o tema, poderá levar dificuldade à equipe de Enfermagem para exercer a humanização na UTIN. Sendo assim, os objetivos deste estudo foram: Compreender a concepção da equipe de Enfermagem sobre a assistência humanizada dentro da Unidade de Terapia Intensiva Neonatal e identificar possíveis fatores que possam interferir na aplicabilidade da assistência humanizada

JOYCIARA LOPES BANDEIRA P10

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